“Vozes da Justiça no Feminino” destaca liderança e igualdade de género no setor da Justiça
O IGFEJ promoveu, no passado dia 21 de março, o evento "Vozes da Justiça no Feminino", uma iniciativa que reuniu colaboradores, dirigentes e outras entidades ligadas à área da Justiça para homenagear e dar voz às mulheres que desempenham um papel essencial no setor.
Fotografia: Emerson Coutinho | Stopmotion
O evento decorreu no auditório da Polícia Judiciária, em Lisboa, e contou com a presença da Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, da Secretária de Estado da Justiça, Maria José Barros e da Secretárias de Estado Adjunta e da Justiça, Maria Clara Figueiredo. O principal objetivo foi fomentar a reflexão e o debate sobre o papel das mulheres na Justiça e na sociedade, com um enfoque especial na igualdade de género.
"Queremos, acima de tudo, destacar o papel fundamental das mulheres no setor da Justiça e reconhecer as suas importantes contribuições", afirmou Ana Luísa Machado, Presidente do Conselho Diretivo do IGFEJ, na sessão de abertura.
Maria José Barros agradeceu ao IGFEJ “por reunir praticamente todas as dirigentes do Ministério da Justiça, num espírito de cumplicidade e de orgulho mútuo, cada uma a fazer o seu melhor nas lideranças das entidades que compõem a orgânica do Ministério”.
Já Maria Clara Figueiredo destacou a crescente presença feminina no setor, sublinhando que, no curso de magistratura do Centro de Estudos Judiciários do ano passado, "dos 115 auditores, 97 eram mulheres e apenas 18 eram homens". A Secretária de Estado Adjunta reforçou ainda que esta tendência já se verifica há décadas, sendo visível na predominância feminina nas faculdades de Direito do país.
O primeiro painel, intitulado "O Poder da Presença Feminina na Justiça", foi moderado por João Lázaro, Presidente da Associação de Apoio à Vítima. A discussão contou com a participação da antropóloga forense Eugénia Cunha, da Vogal do Conselho Diretivo do IGFEJ, Rosália Rodrigues, e da Diretora Nacional Adjunta da Polícia Judiciária, Luísa Proença. As intervenientes refletiram sobre a evolução histórica das mulheres na Justiça e o impacto do seu papel na atualidade.
Já o segundo painel, "O Futuro na Diversidade", foi conduzido por Luís Neves, Diretor-Nacional da Polícia Judiciária. Susana Videira, Diretora-Geral da Direção-Geral da Política da Justiça, Filipa Lemos Caldas, Diretora-Geral da Direção-Geral de Administração da Justiça, e Vânia Álvares Gonçalves, membro do Conselho Superior do Ministério Público, partilharam as suas perspetivas sobre os desafios e oportunidades para o futuro da diversidade no setor.
A sessão de encerramento esteve a cargo da Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, que reforçou o compromisso do Ministério da Justiça com a promoção da diversidade, da igualdade de género e da liderança feminina.
"As coisas estão a mudar, a sociedade está a mudar. E chegará o dia em que este desequilíbrio será muito mais ténue. Um dia deixará de ser notícia que foi eleita a primeira mulher para isto, ou a primeira mulher para aquilo", afirmou a Ministra.
Apresentando dados estatísticos que ilustram a presença feminina no setor, Rita Alarcão Júdice sublinhou que: “Mais de 65% dos magistrados judiciais são mulheres; 70% dos magistrados do Ministério Público são mulheres; 67% dos funcionários da Justiça nos Tribunais são mulheres; 50% dos advogados são mulheres. No Ministério da Justiça, 47% dos dirigentes são mulheres e no Governo, 40% dos governantes são mulheres.”
No final da sessão, as participantes foram brindadas com um Porto de Honra, ofertado pela Polícia Judiciária, e por uma planta de azevinho, símbolo de paz, oferta da Câmara Municipal de Lisboa.
O evento "Vozes da Justiça no Feminino" integrou-se nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, reforçando o papel essencial das mulheres na construção de uma Justiça mais equitativa e inclusiva.










Fotografias: Emerson Coutinho | Stopmotion